Dia da Consciência Negra é comemorado com debate

O poeta Luis Jansen recita um poema de Luis Gama

 

Em homenagem ao considerado "mestre da advocacia", Luís Gama, o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, foi comemorado nesta quinta-feira (20), com uma mesa-redonda, da qual participou o desembargador Valtércio de Oliveira,  presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (Bahia), lembrando a dura trajetória do jornalista, advogado e poeta baiano, que tornou-se um grande líder negro brasileiro.  O evento ocorreu no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.

 

"Luís Gama atuou em um tempo difícil com primazia, enquanto as elites defendiam a escravidão, ele enfrentava juízes e a sociedade de forma destemida", afirmou o presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Rio de Janeiro, Técio Lins e Silva, ex-conselheiro do CNJ e palestrante no evento. E complementou, "os estudos não são definitivos, mas ele era provisionado e tinha autorização para atuar nos tribunais, uma síntese do modelo de advogado, com coragem, generosidade, sem medo". Luis Gama era um advogado autodidata, "um exemplo para todos os advogados, sem medo de juiz",  afirmou Técio, que acrescentou ainda que Luis Gama publicava nos jornais anúncios oferecendo seus serviços gratuitos para escravos que queriam liberdade.

 

A memória do abolicionista só foi reconhecida há pouco tempo pelo IGHB, com a criação da Medalha Luis Gama, desenhada por Oscar Niemeyer. Segundo o presidente do TRT5, "é lamentável o fato de muitos brasileiros não saberem a história de Luiz Gama, que libertou em São Paulo mais de mil escravos na década de 30". O presidente ressaltou a vida sofrida do homenageado, vendido à escravidão pelo pai aos 10 anos de idade para pagar dívidas de jogo. "Ele foi levado para os plantios de café de São Paulo, onde estudou e construiu sua formação", afirmou o desembargador.

 

 Secom TRT5

 

Além do presidente do TRT5, participaram da homenagem o ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Horácio Pires; o presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros, Técio Lins e Silva; e o membro da Academia de Letras da Bahia, escritor e jornalista Joacy Góes. 

 

O ministro Horácio Pires falou que Gama era conhecido como o advogado dos escravos pelos mais de mil habeas corpus impetrados. Segundo o ministro, "ele foi um dos mais importantes negros do século XXIX, tendo herdado da mãe o desejo de acabar com a escravidão". Contou que a mãe foi presa diversas vezes pelo trabalho junto aos movimentos abolicionistas, e que, aos 18 anos, se alistava na milícia nacional. Gama cresceu sob o exemplo "de que não se pode construir um país sem liberdade e dignidade do ser humano".

 

O evento foi realizado pelo Instituto dos Advogados da Bahia, com o apoio do TRT5, da Associação Baiana de Imprensa, da Academia de Letras Jurídicas da Bahia, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, da Procuradoria Regional do Trabalho da 5ª Região, da Fundação Instituto Feminino da Bahia, da Superintendência Regional do Trabalho e  do Jornal Tribuna da Bahia.

 

MAIS SOBRE LUIZ GAMA - Luiz Gonzaga Pinto da Gama era filho da africana livre Luiza Mahin, uma das principais figuras da Revolta dos Malês, com um fidalgo branco de origem portuguesa, de uma rica família baiana.

 

Depois que a mãe foi exilada por motivos políticos, Luiz, com apenas 10 anos, foi vendido como escravo pelo próprio pai, sendo levado para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo.

 

Luiz Gama inaugurou a imprensa humorística paulistana ao fundar, em 1864, o jornal "Diabo Coxo". Poeta satírico, ocultou-se, por vezes, sob o pseudônimo de Afro, Getulino e Barrabás. Sua principal obra foi "Primeiras trovas burlescas de Getulino", de 1859, onde se encontra a sátira "Quem sou eu?", também conhecida como "Bodarrada".

 

 

 

Quadro retrata Luiz Gama

 

Secom TRT5 (Léa Paula) - 21/11/2014